Como conciliar trabalho e mestrado/doutorado em direito?

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A conciliação de obrigações profissionais e acadêmicas por profissionais do direito pode ser especialmente desgastante. Sendo um campo das ciências humanas particularmente vinculado ao mundo profissional, são raros os casos em que mestrandos e doutorandos podem se dedicar inteiramente à pesquisa necessária à conclusão do curso.

Assim, a maioria dos estudantes — mesmo que vinculados a universidades públicas —, deve dividir suas atenções aos mundos profissional e acadêmico. É certo que nem todo mundo trabalha e estuda por opção, mas por necessidade. Isso é especialmente correto para os estudos de pós-graduação stricto sensu, já que os graduados normalmente enfrentam maios pressão pela inserção no mercado de trabalho.

São dois mundos bastante distintos, com exigências particulares e que demandam profunda consciência da necessidade de organização do tempo. Um dos maiores desafios para quem trabalha e estuda consiste justamente na necessidade de “gerir” os compromissos associados a cada mundo. No post de hoje, discuto essa questão, apresentando estratégias interessantes para alcançar todos os seus objetivos!

5 estratégias úteis para conciliar o trabalho e a vida acadêmica

O pressuposto básico para organizar suas vidas profissional e acadêmica é definir adequadamente as prioridades de sua rotina. Tenha claro em sua mente os objetivos você pretende alcançar e os prazos desejados para conclui-los.

Além disso, é importantíssimo deixar um espaço razoável para suas outras atividades. Tudo o que leva tempo para ser desenvolvido e concluído deve ser considerado e organizado na definição de sua rotina, a fim de que você possa ter e desenvolver tudo o que precisa. Afinal, além de estudar e trabalhar, uma vida plena exige deixar um tempo para a vida social, o lazer e outras tarefas mais prosaicas, como ler um jornal, ir ao mercado ou realizar exames médicos.

Por isso, preparei uma lista de estratégias que auxiliam bastante a organização da rotina, possibilitando alcançar o justo equilíbrio entre profissão e universidade.

1 Organize sua rotina em torno das necessidades profissionais e acadêmicas: priorize o que é importante

Para garantir o bom rendimento tanto nos estudos quanto no trabalho, você precisa se tornar um planejador excelente. O primeiro ponto é priorizar o que é importante. Isso não significa deixar de lado tarefas não prioritárias, mas abrir um espaço significativo na agenda para o trabalho e os estudos.

Quem deseja sobreviver às demandas das vidas profissional e acadêmica precisa se tornar um excelente planejador. E definir uma rotina é essencial para ter uma vida equilibrada e ter sucesso, conquistando todas as metas projetadas.

Ao definir a rotina, é importante estabelecer desde o início quais as prioridades no trabalho e no mestrado/doutorado. O que você deseja alcançar ao longo do mês/semestre/ano? Escreva essas metas e subdivida as rotinas necessárias para alcançar cada um dos objetivos.

O ideal é estipular, a cada semana, períodos de tempo necessários para cada uma das tarefas específicas voltadas à consecução de cada objetivo. Para organizá-las, recomendo a utilização de aplicativos de agenda como os do Google e do seu telefone celular. Mesmo as agendas mais simples possibilitam enxergar na tela sua programação diária, semanal e mensal, o que dá a você tanto uma ideia do todo quanto das tarefas de cada dia.

Ao definir sua rotina, você se sentirá no controle da situação, poderá avaliar seu proresso diariamente e terá, todos os dias, um lembrete das atividades profissionais e acadêmicas.

Definir a rotina diária é essencial para conciliar o trabalho e o mestrado

2 Reserve um lugar separado para estudar

Alcançar objetivos profissionais e acadêmicos pressupõe uma administração absolutamente eficiente do tempo. Por isso, é importantíssimo reservar um lugar separado onde você possa estudar com tranquilidade e concentração plena.

Estudar em casa normalmente é um desafio para quem trabalha e estuda, justamente porque o cansaço do dia-a-dia transforma nosso lar em um lugar de descanso. Com isso, nossa mente tende a ficar dispersa, mais voltada ao descanso e ao lazer — e não é fácil resistir.

Além disso, o estudo doméstico usualmente é atrapalhado por outras pessoas competindo por atenção. Torna-se fundamental, portanto, deixar absolutamente claro que aquele momento é de estudo e concentração.

Idealmente, se houver espaço, procure não estudar em seu quarto, já que esse é um espaço sagrado para seu descanso. Utilizá-lo para estudar pode confundir sua mente e, na hora de dormir, talvez seja mais difícil descansar e restaurar efetivamente as energias.

Melhor ainda, contudo, é reservar um outro espaço, fora de casa, para estudar. Com o tempo, o hábito de reservar outro lugar dedicado exclusivamente ao estudo auxilia sua concentração. Pode ser a biblioteca, o banco de uma praça ao ar livre, um café…

O que é importante é reservar dois lugares diferentes, um para estudar e outro para se dedicar às atividades do trabalho. Ainda que você tenha algum tempo livre no local de trabalho, após o horário de expediente ou em algum intervalo, evite utilizá-lo para atividades acadêmicas muito desgastantes — o local de trabalho normalmente é sujeito a muitas demandas concorrentes, o que usualmente significa barulhos, interrupções e outros obstáculos à concentração.

3 Comprometa-se apenas com o que você realmente pode cumprir

As pessoas comprometidas com a excelência normalmente querem fazer tudo muito bem feito. Se você é assim, isso é ótimo! É um sinal de que você é uma pessoas séria e que tem uma abordagem bastante profissional seus compromissos pessoais e profissionais.

Mas também é importante ter consciência de que você não pode fazer tudo.

Ao acumular trabalho e estudo, é comum querer “mostrar serviço” nas duas pontas. No trabalho, muitos não querem que os colegas pensem que os estudos estão atrapalhando e, por isso, acumulam mais e mais obrigações que, muitas vezes, poderiam ser legitimamente executadas por outras pessoas. E, nos estudos, não é incomum que colegas e professores exclusivamente dedicados à vida acadêmica façam pouco caso de quem também trabalha, considerando-os “acadêmicos de segunda classe”.

Besteira. Alguns dos melhores acadêmicos que conheço cursaram o doutorado e o mestrado enquanto trabalhavam e nem por isso entregaram uma pesquisa de baixa qualidade. Mas o que eles sabiam fazer muito bem era equilibrar a vida profissional e acadêmica, sem acumular tarefas apenas para mostrar que dava conta do recado.

Lembre-se de que você não deve nada a ninguém, a não ser a si mesmo! Portanto, aceite que você não pode fazer tudo — comprometa-se com o que realmente é necessário em suas trajetórias acadêmica e profissional e entregue o que é preciso ser feito. Nada mais, nada menos.

Evidentemente, alguns “extras” fazem parte das obrigações “mínimas” profissionais e acadêmicas. Ajudar o orientador em algumas tarefas, organizar um seminário acadêmico ou redigir alguns artigos científicos fazem parte do jogo, assim como fazer mais do que o mínimo esperado no trabalho (até para mostrar seu comprometimento). Mas escolher bem os desafios é essencial para se sair bem no trabalho e no mestrado/doutorado.

Ah! E é importantíssimo encontrar um orientador compreensível com suas necessidades e um programa compatíveis com sua rotina. O orientador precisa entender seu padrão de estudos, suas prioridades e o fato de que você precisará ter uma rotina própria particularmente diversa da enfrentada por alunos com dedicação exclusiva. Imagine encontrar um orientador que só pode se encontrar contigo no meio do seu horário de trabalho ou uma faculdade que ofereça disciplinas nos três turnos… difícil, não? Portanto, deixe claro o que você precisa para fazer um bom trabalho. Isso é essencial para evitar problemas depois.

4 Escolha um tema de seu genuíno interesse para pesquisar

A escolha do tema de pesquisa deve ser atraente — especialmente para quem precisa lidar simultaneamente com os desafios acadêmicos e profissionais.

Escolha um tema chato e provavelmente as dificuldades do dia-a-dia tornarão tudo tão enfadonho que será preciso desistir de um dos sonhos. E como é mais fácil largar da vida acadêmica do que do emprego (afinal, você precisa do dinheiro!), normalmente sobra pro mestrado ou pro doutorado. Afinal, são dois (mestrado) ou quatro longos anos (doutorado) pesquisando o mesmo tema, a fim de concluir a dissertação/tese e concluir o curso. Você se imagina pesquisando algo muito, muito chato depois de ter passado boa parte do seu dia trabalhando?

Concluir o mestrado ou doutorado é, em grande parte, um desafio à persistência. Não é preciso ser um gênio, nem ter grandes dons ou talentos. Mas é preciso persistir e continuar a ir em frente mesmo quando você já está esgotado. Trabalhar simultaneamente a esse processo torna tudo mais difícil. Mas tudo fica mais fácil quando o tema escolhido é prazeroso e trabalhar nele é parte do seu “lazer”.

Portanto, escolha um tema apaixonante. Não precisa ser, evidentemente, um tema apaixonante “pra todo mundo”. Mas precisa ser apaixonante para VOCÊ, que é a única pessoa que importa nessa escolha.

5 Não se esqueça do lazer!

Por fim, é importantíssimo não deixar o lazer de lado. Por mais que possa parecer mais produtivo se concentrar nas tarefas profissionais e acadêmicas, deixar um tempinho para o lazer também é muito relevante. Por mais que pareça contraintuitivo, o descanso e o lazer também são partes integrantes de uma vida produtiva.

E não sou eu que digo isso, mas vários estudos desenvolvidos nos últimos anos. Dados recentes, por exemplo, mostram que alguns países europeus têm produtividade similar (ou, em alguns casos, até superior)aos americanos, embora seus empregados trabalhem menos horas por semana. Como os europeus conseguem isso? Trabalhando mais eficientemente – ao invés de perder tempo vendo e-mails e conversando com os colegas, os europeus buscam se concentrar no trabalho.

Além disso, os europeus têm mais tempo de lazer do que os americanos. Com isso, descansam mais a mente e têm maior produtividade em serviço. De acordo com Alex Soojun-Kim Pang, autor de Rest: Why you Get More Done when you Work Less, o descanso nos auxilia a ter uma maior produtividade. Muitas vezes, o cérebro encontra soluções únicas e criativas para problemas complicados justamente nos momentos de descanso, nos quais não estamos concentrados em qualquer solução. Além disso, um cérebro descansado é mais produtivo por si só; pense nele como um músculo que, constantemente desgastado, não consegue levantar muito peso – mas, com o descanso na medida correta, pode levantar algumas dezenas de quilos.

Descansar não significa necessariamente tirar longos períodos de descanso. Embora seja muito útil tirar um ou dois dias na semana para atividades de lazer, mesmo alguns minutos a cada hora podem ser bastante úteis para manter a produtividade em alta. É por isso que curto bastante a técnica pomodoro, que divide seu tempo de trabalho/estudo em quatro quartos – e, a cada três quartos de trabalho, você descansa ou faz outras atividades no último quarto. Por exemplo, se você decidiu trabalhar por uma hora (quatro períodos de quinze minutos), tire um descanso de quinze minutos por hora e só volte a trabalhar após o descanso. Trabalhou mais quarenta e cinco minutos? Tire mais quinze minutos de folga.

Pra quem deseja equilibrar trabalho e estudo, tirar folgas periódicas para descansar e se dedicar a atividades de lazer é essencial. Lembre-se de que sua vida é mais do que o trabalho e os estudos e que, pra ser melhor neles, também é preciso se dedicar a atividades prazeirosas e divertidas. Paradoxalmente, ser improdutivo é produtivo!

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