Qualis

Qualis, o sistema que indica onde publicar seus artigos

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O sistema Qualis oferece uma solução interessantíssima para um dos maiores desafios enfrentados por um acadêmico que pretende divulgar suas ideias: escolher a revista onde publicar seus textos. Esse é um ponto importantíssimo onde muitos tomam decisões equivocadas. Ao selecionar periódicos ruins, que terminam por não dar visibilidade adequada a bons artigos. Com isso, arriscam-se a manchar um currículo que, de outro modo, seria impecável.

No post de hoje, comentarei sobre o sistema de avaliação Qualis.  Trata-se de um importante instrumento que ajuda a corrigir  erros fundamentais que neófitos (e também alguns acadêmicos até mais experientes) cometem ao escolher uma revista para publicar seus artigos. Além disso, abordarei alguns critérios importantes a serem utilizados na hora de escolher o veículo onde você deve publicar os seus textos para alcançar um bom impacto.

A importância de escolher revista com boa reputação para publicar seus artigos científicos: o sistema Qualis

Se você tem o objetivo de cursar um mestrado ou doutorado, ter boas publicações acadêmicas é essencial. Uma das fases do processo seletivo é justamente a avaliação do curriculum lattes do candidato. Um dos pontos examinados que mais contam nessa etapa é justamente a publicação de textos acadêmicos.

Nos últimos anos, a publicação por parte de mestrandos e doutorandos tem sido particularmente relevante por ser um dos fatores avaliados pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para atribuir pontuação a um curso de pós-graduação stricto sensu. Quanto mais artigos de qualidade publicados por uma instituição, maior a nota atribuída a ela.

A nota atribuída é relevante em virtude de as instituições com melhor lugar no ranqueamento têm a disposição mais recursos financeiros, podem abrir mais vagas em seus cursos de mestrado e doutorado e, eventualmente, podem até contratar mais professores para seus quadros.

Critérios de avaliação do sistema Qualis

Um dos fatores avaliados pela CAPES é a quantidade de artigos publicados pela instituição e, nessa conta, entram os artigos publicados tanto por professores quanto pelos estudantes.

Mas a CAPES não avalia apenas a quantidade de artigos publicados; é preciso que os artigos tenham também qualidade, que é verificada pela classificação dos periódicos no sistema Qualis, derivado do “conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação” (definição da CAPES). A partir de um conjunto de critérios específicos, a CAPES classifica as diversas revistas em estratos que variam de A1 a C, sendo A1 os melhores periódicos e o C, os piores no ranking.

Assim, quem deseja cursar um bom programa de mestrado e doutorado precisa publicar artigos em revistas com estratos mais altos. Um melhor ranqueamento indica boa avaliação no ranking da CAPES. Como resultado, a publicação atrai mais interesse por parte da banca examinadora. Portanto, quem tem o objetivo de turbinar sua carreira acadêmica precisa publicar artigos científicos em periódicos mais relevantes. Garante-se, assim, que seus textos atrairão maior interesse justamente por conta da avaliação institucional da CAPES.

Revistas bem avaliadas no Qualis conferem maior visibilidade aos artigos

E não é só isso: artigos publicados em periódicos bem avaliados costumam ser mais citados em razão de terem maior visibilidade para o público acadêmico. São revistas com bons editores, que submetem os textos a revisores qualificados e, além disso, são mais lidas por acadêmicos de peso.

Quando eu era um neófito, cometi esse erro. Publiquei, feliz da vida, um artigo no portal Jus Navigandi (é… coisas que a gente tem que confessar nessa vida!). Resultado? O texto não vale nada academicamente, pois o portal é avaliado com nota “C” no sistema Qualis. Desde 2008, contudo, só procuro periódicos estrato B1, A2 e A1 para publicar, pois são melhor avaliados e conferem maior nota não apenas para a instituição, mas também para meu currículo.

Um erro muito cometido por acadêmicos é justamente não consultar o Qualis da revista antes de submeter um artigo. Muitos acreditam que, por ser publicada por um tribunal ou uma associação de juristas, a publicação tem relevância acadêmica. Não é bem assim. Há muitas e muitas revistas publicadas por tribunais (inclusive tribunais superiores!) avaliadas com Qualis “C”.

Onde você consegue acessar o Qualis? Clicando aqui!

Atenção!!! Antes de escolher a revista onde publicar seus textos, decida que público você deseja alcançar

O fato de uma revista ser considerada academicamente pouco relevante não significa que seja pouco lida ou pouco expressiva. Também não significa que todos os textos publicados nelas sejam irrelevantes ou ruins a partir de uma perspectiva dogmática. Revistas publicadas por tribunais e determinadas associações têm importância profissional. Por isso, publicar nelas pode, sim, atrair prestígio para sua carreira como profissional do direito. Tais revistas podem inclusive ser uma relevante fonte de referências bibliográficas para a sua própria pesquisa.

Mas não confunda o prestígio profissional com qualificação acadêmica.

Existem bons profissionais que  publicam artigos em revistas mal avaliadas no sistema Qualis.  Escolhem esse caminho justamente por conferir visibilidade a outros públicos. Lenio Streck, por exemplo, um dos principais constitucionalistas brasileiros, é figurinha carimbada no Portal Consultor Judídico.Esse portal é classificado como Qualis “C”, mas o professor já publica há algum tempo diversos artigos muito interessantes. Isso em nada desmerece suas obras, já que o professor, pós-doutor e advogado, também já publicou diversos livros e artigos em periódicos mais bem avaliados.

É possível mesclar interesses profissionais e acadêmicos na escolha da publicação

Evidentemente, o próprio perfil dos artigos deve ser orientado para cada canal onde se deseja publicar. Se sua meta é alcançar um público mais amplo, de nada adianta publicar em uma revista Qualis “A1”. Afinal, um público composto de  profissionais do direito é diferente de um público composto majoritariamente de estudantes, pesquisadores e professores. Nesse caso, procure publicar em portais de alcance mais amplo, como o Consultor Jurídico e o Migalhas, entre outros. Esses periódicos são bastante lidos por profissionais do direito (e até pelo público leigo, mas interessado em temas jurídicos.

Mas, se sua meta é “turbinar” seu currículo acadêmico, não perca tempo publicando por esses meios. A banca examinadora provavelmente olhará seu curriculum lattes com certo desdém. E não será surpresa se ela preferir um candidato que já tenha publicado alguns artigos em revistas bem classificadas no Qualis.

Nada impede você de “atirar” para os dois lados, escrevendo artigos para públicos diferentes, claro. Mas o perfil da própria redação dos textos deverá ser diferente. A redação acadêmica é mais impessoal e não admite uma linguagem mais leve e extrovertida.  Por sua vez, um artigo menos hermético será mais bem recebido por um público mais amplo. De qualquer modo, é importante ter em mente a relevância do Qualis para publicações acadêmicas.

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