Redação acadêmica: 5 erros que DETONAM a qualidade de seu trabalho

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A redação acadêmica tem diversas peculiaridades, dadas as suas características bastante técnicas. Há um estilo próprio, mais ‘seco’ do que a redação cotidiana, que por natureza é mais livre. Diante dessas particularidades, há alguns erros fundamentais (e infelizmente muito comuns) que devem ser evitados por quem deseja se desenvolver na pesquisa acadêmica.

A maioria dos erros tem raízes em vícios próprios da redação jurídica. No dia-a-dia profissional, muitos trejeitos são incorporados (como o famoso “Isto posto” típico da maioria das sentenças) irrefletidamente na redação e levados para o domínio acadêmico. Mas é importantíssimo tomar consciência desses erros. Muitos deles podem ter consequências pesadas em sua trajetória acadêmica, já que tornam o texto mais cansativo e difícil para os examinadores de seu trabalho.

1 Evite períodos longos demais

Períodos muito longos confundem o leitor. Entre as milhares de vírgulas de um período longo demais, qualquer um que leia o texto fica perdido, sem saber quem é o sujeito e o predicado, qual a principal ideia ou mesmo qual o tema debatido na frase.

Infelizmente, tenho percebido que muitos estudantes cometem esse equívoco. Não raramente, muitos dos trabalhos que tenho lido apresentam parágrafos inteiros com um único período. E não são parágrafos pequenos, mas 10 ou 15 linhas com apenas um único período. Como resultado, o texto perde em qualidade, já que as ideias são apresentadas de maneira confusa, perdendo-se  coerência e coesão textual.

Usualmente, o uso de períodos longos demais também favorece a presença de erros graves de português. Como o período exige a utilização de várias orações, sua estrutura é previsivelmente prejudicada. Torna-se extremamente dificultoso entender a lógica de coordenação e subordinação entre as frases, o que usualmente acarreta a má utilização de vírgulas.

Leia também: Como é o processo seletivo do mestrado em direito?

2 Capítulos curtos demais

Se períodos longos demais prejudicam a leitura, o mesmo pode ser dito de capítulos excessivamente curtos.

E esse também é um erro muito comum em trabalhos de conclusão de curso (TCC) e em algumas dissertações de mestrado. Ao invés de utilizar uma estrutura enxuta, com três ou quatro capítulos, muitos estudantes redigem seu texto com dez, doze capítulos de vinte páginas ou menos.

O resultado de uma estrutura tão fracionada é uma leitura amarrada, que não progride naturalmente. Ao invés de agrupar assuntos correlatos em um mesmo capítulo, os assuntos são esfarelados em muitos capítulos distintos. Essa estrutura torna a leitura enfadonha, dispersa e pouco coerente.

O ideal é estruturar um texto em capítulos maiores, que progridem naturalmente de um assunto ao outro. Com uma estrutura organizada em torno desse princípio, torna-se mais clara a compreensão do caminho lógico pretendido pelo autor, facilitando-se a leitura e a adequada apreensão do conteúdo do texto.

3 Uso excessivo de hipérbatos

Outro equívoco muito comum na redação acadêmica diz respeito à inversão de frases (os hipérbatos). Ao invés de escrever “as crianças correram”, escreve-se “correram as crianças”. Não se trata, evidentemente, de um erro, já que os hipérbatos são estruturas gramaticais corretas.

Contudo, sua utilização excessiva também prejudica a leitura. Ao inverter a ordem natural do texto, o famoso “sujeito + verbo + objeto”, o hipérbato convida o leitor a descobrir quem é o sujeito e o objeto da frase, trazendo à leitura um elemento de complexidade adicional.

Trata-se de vício especialmente presente em textos jurídicos, tradicionalmente afeitos a estilos mais pomposos. Em um texto poético ou literário, a forma complexa traz mais elegância e desafia o leitor a desvendar a beleza da pompa. Mas, em um texto de 200 ou 300 páginas como uma dissertação ou tese de doutorado, a utilização excessiva de hipérbatos é um convite para que a banca examinadora perca a paciência com o texto. E examinadores impacientes podem ser muito cruéis. Não dê motivo a eles. 😉

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4 Redação hermética

Embora a filosofia francesa contemporânea seja muito famosa por seus textos desnecessariamente complexos, evite a tentação de escrever como Derrida ou Deleuze. Ainda que alguns círculos acadêmicos considerem textos obscuros um sinal de brilhantismo, essa tradição está caindo em desuso.

Muitos acadêmicos, infelizmente, ainda confundem redação obscura e hermética com profundidade. Com as raras exceções de sempre, na maior parte das vezes, um texto hermético mesmo é apenas obscuro mesmo. E, acredite, bons examinadores saberão que escondido por trás de uma redação acadêmica confusa e hermética está um trabalho fraco teoricamente.

Por isso, fica a dica. Seja analítico. Escreva claramente. Concatene bem suas ideias, explicando suas premissas e desenvolvendo gradualmente o raciocínio.

5 Por que você tem que falar de história?

Esse aqui é um erro cometido por 9 entre 10 trabalhos de pesquisa jurídica. Escolha um tema. Qualquer um. 9 de 10 trabalhos apresentarão, após a introdução, um capítulo dedicado especialmente à história do instituto jurídico abordado.

Mas isso faz sentido? Às vezes sim, às vezes não. Mas, na maioria dos casos, não. Cito alguns exemplos. Em uma monografia sobre divórcio no Código Civil de 2002, o autor dedicou um capítulo de TRÊS páginas (vide erro nº 2) para abordar a história do casamento. Falou do casamento na Suméria, no Egito, na Grécia, em Roma, na Idade Média. E não falou do casamento no Código Civil de 1916, o que faria muito mais sentido. Afinal, se era pra abordar o divórcio no Código Civil de 2002, faria mais sentido explorar as diferenças em relação ao código anterior. Mas até hoje não entendi a relação entre o Código de 2002 e o casamento sumério. 🤔

Outro dia, em uma livraria de Brasília, encontrei um manual de direito constitucional que falava em constitucionalismo no Egito antigo. Sério! 🤯

Seu tema realmente depende de uma abordagem histórica? Então vá fundo. Estude profundamente os aspectos históricos a serem abordados. Mas, se você deseja apenas citar a história pra “encher linguiça”, melhor nem começar. Você abrirá um flanco terrível a ser explorado na banca examinadora por sua falta de profundidade na abordagem histórica, sem necessidade alguma. Você não tem que falar de história. Mas, se o fizer, faça bem feito.

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